TEOLOGIA DO ESPÍRITO SANTO

DO LIVRO TEOLOGIA DO ESPÍRITO SANTO – Autoria De Walter Bastos

Pecados Contra O Espírito Santo Parte II

“Homens de dura cerviz e incircuncisos de coração e de ouvidos, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim como fizeram vossos pais, também vós o fazeis” (At 7.51).

pombo

Por isso, vos declaro: todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens; mas a blasfêmia contra o Espírito Santo não será perdoada. Se alguém proferir alguma palavra contra o Filho do Homem, ser-lhe-á isso perdoado; mas, se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será isso perdoado, nem neste mundo nem no porvir” (Mt 12.31, 32).

A Bíblia conceitua o pecado nos seguintes termos: “Todo aquele que pratica o pecado também transgride a lei, porque o pecado é a transgressão da lei” (1Jo 3.4). Então, por definição, podemos inferir que pecado é a desobediência da lei de Deus. A lei de Deus traz o padrão de conduta do homem em relação ao próprio Deus e em relação ao seu semelhante (Dez Mandamentos – Êx 20.1-17). Literalmente, a palavra pecado significa “errar ou não atingir o alvo”. Que alvo? O padrão de perfeição que o Senhor estabeleceu em sua Palavra e que foi plenamente vivido por Jesus Cristo.

Pecar contra o Espírito Santo é pecar contra Deus (At 5.3, 4) porque o Espírito Santo é Deus! Estamos falando de um aspecto peculiar, específico de pecado. Já vimos que esses pecados são divididos em dois grupos, aqueles cometidos por cristãos, num total de três: entristecer, mentir e apagar o Espírito Santo. E os que são praticados apenas por incrédulos, a saber, mais dois: resistir e blasfemar contra o Espírito Santo. Neste estudo, avaliaremos de que modo esses dois últimos erros são feitos e quais as suas implicações sobre o homem de um modo geral.

O PECADO DE RESISTIR AO ESPÍRITO SANTO

Em sua defesa, Estêvão afirmou o seguinte a respeito dos seus algozes: “Homens de dura cerviz e incircuncisos de coração e de ouvidos, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim como fizeram vossos pais, também vós o fazeis” (At 7.51). O verbo resistir também significa: “não ceder; opor-se; oferecer resistência”. É o contrário exato de ceder, aceitar, abrir-se para.

Deus rejeitou a primeira geração de israelitas que foram levados do Egito para a terra de Canaã exatamente por causa da obstinação, teimosia, arrogância e dureza de coração (Êx 32.9; Hb 3.7-11; Is 63.10). O resultado foi a morte no deserto, pois, “deserto” é o lugar de “matar” ou de punir gente ruim (Lv 14.29, 30). Quando uma pessoa decide por algo ou alguma coisa, dependendo de sua índole, até Deus tem dificuldades para mudá-lo, pois Ele respeita o direito de escolha das pessoas (Dt 30.19, 20).

Estêvão declara perante o Sinédrio judeu, na maioria composta por membros da seita dos saduceus, (governavam o povo religiosamente) que eles de fato não estavam interessados na vontade de Deus. Eles queriam apenas perpetuar o poder, continuar controlando o povo. Por essa razão, eles resistiram a Jesus Cristo no passado (At 5.30) e agora estavam resistindo ao Espírito Santo, o legítimo substituto de Cristo na terra.

Segundo as palavras de Jesus, o Espírito Santo seria o “outro” Consolador (Jo 14.16), que Ele enviaria da parte do Pai para estar definitivamente com a Igreja, a fim de orientá-la e ajudá-la em tudo (Jo 16.13; Rm 8.26, 27). Portanto, nem o “papa” nem qualquer pessoa ou organização na terra são capazes de substituir (ou de ser o vigário – substituto) a Jesus Cristo, aqui entre nós.

O ato de “resistir” é inerente a pessoas que possuem “dura cerviz” (literalmente “pescoço duro” – diz-se de alguém que não se volta para atender ao chamado de outrem). Que assumem uma postura sobre algo ou alguma coisa específica (um estilo de vida) e insistem em continuar como estão; não se deixam convencer, mesmo diante de evidências irrefutáveis (Lc 21.15).

Observe que as pessoas que resistiram ao Espírito Santo eram religiosos incrédulos. Não havia legítimos cristãos entre eles. Deus enviou Jesus para salvar toda a humanidade (Jo 3.16), mas alguns deliberadamente rejeitam, se opõem abertamente ao Evangelho de Cristo. Pedro parece dizer em sua segunda carta que há pessoas que de fato estão “reservadas para a destruição” (2Pe 2.9, 12 e 17).

Por mais que se fale a esses homens arrogantes e depravados das verdades celestiais, o que eles desejam mesmo são as mentiras infernais. Querem continuar em seus pecados (Jd 10-13), sentem prazer em toda malignidade que praticam e só referir ao que eles fazem é repugnante (Ef 5.11, 12). Paulo traz um perfil dessas pessoas que caracterizariam a geração dos fins dos tempos em 2Timóteo 3.1-9.